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Espaço de Amilcar ManuelDiversão fotográfica, de poesia e crítica política. |
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September 10 PERFIS
PERFIS (Mário Soares)
Nós estamos entrando loucamente Num tempo que ninguém, presentemente, Gostava de viver ou mais sentir… -Sabemos que o futuro ou o porvir É coisa que terá muita importância. Ninguém deve manter a ignorância Daquilo que passou em tempos idos: Dos sonhos que vivemos, tão queridos E, que hoje, são apenas um passado. Ninguém o quer saber já enterrado! -Os que puderam ser grandes heróis Trouxeram novas vidas, novos sóis… Mas se o seu fim foi fim ao declará-lo Virtude lá se foi ao renová-lo!... -Jamais tudo se pode remontar Apenas simplesmente no falar Demagógicas coisas mui bonitas Que não apagam mais as coisas ditas!... -Se ao tempo lhe foi dado um acabar; Se o tempo foi vivido a trabalhar; Se o esforço já foi gasto num sentido; Se foi honestamente conseguido; Então porque se pensa outra vez Fazer o que algum dia já se fez? A água que passou num tal moinho Que corre agora muito de mansinho, Não pode passar lá noutro sentido, Viver o que já pôde ser vivido É dar o que foi dado com razão: Cansar o já cansado coração; Morrer como se morre em morte lenta; O corpo vai cedendo, não aguenta! … -Relembro uma tão velha senhoria Que sempre usou a sua teimosia Até cair, redondo, da cadeira Manteve sempre em si a mesma asneira. -Por ter uma cabeça muito dura Levou-o finalmente à sepultura… -Parece que se foi a consciência Dum homem, dum estado, da decência!...
Amílcar de Figueiredo
Publicado no jornal Gazeta das Caldas em 11-11-2005 e em Poemas Dispersos, livro editado por Caminho das Águas em Dezembro de 2008.
Acabo de ler o artigo escrito por Clara Ferreira Alves, publicado no Expresso, o qual se refere ao livro da autoria de Rui Mateus, CONTOS PROIBIDOS – MEMÓRIAS DE UM PS DESCONHECIDO, livro que desapareceu do mercado.
Como sob título: “Este é o maior fracasso da democracia portuguesa”
Começa por dizer: “Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.”
Este é um dos 37 parágrafos de “Lucidez” que se referem à pessoa do Dr. Mário Soares e que finaliza que “vai e vem” mas que sugere que “vai… e não volte mais.”… a lucidez, suponho.
Nesses 37 parágrafos recorda-se as fases relativas aos tempos que foram muito comentados na altura própria e que parecia que teriam sido esquecidos pelo povo. Porém, a memória do povo não será assim tão curta que não nos lembremos de tantos episódios onde ele esteve presente, alguns só meramente pessoais, outros políticos que, se alguns o dignificaram e personalizaram pelo lado positivo, também outros lhe terão dado pouca satisfação por terem acontecido e o terem deixado ligado a eles por tão fracas lembranças.
Pessoalmente nunca tive qualquer contacto directo com tal senhoria. Mas, isso não significa que desde muito cedo não tenha tido dele algumas lembranças que não são nada gostosas de recordar, pela demonstração de arrogância e de vaidade desmedida e nada simpático de convivência com a sociedade da sua juventude, da qual sempre se terá querido sobressair. Por uma rara coincidência, quis o objecto do livro, cujo autor, que era seu homónimo, infelizmente já falecido, juntar cem biografias onde a sua e a minha se incluem. Por factos que oportunamente virei a descrever, não tenho muito agrado nessa companhia, onde a “exemplar” descolonização deu motivo. E foi num período prévio a ela, que recordo e lamento ter acontecido a divulgação jornalística do “caso do espezinhar da bandeira portuguesa”em Londres, quando, dessa forma pretenderia marcar a sua clandestinidade na oposição ao governo vigente em Lisboa.
E porque terá vivido até agora uma vida cujas facetas serão tão diversas e contraditórias, os amigos que terá feito e os inimigos que terá criado, farão meditar um agnóstico (possivelmente) se terá valido a pena ter vivido esta vida tal como ela se apresentou e aconteceu? …
Amílcar de Figueiredo
November 30 O TEMPOO TEMPO
Da árvore cai folha já vivida...
Das nuvens vertem lágrimas, chovendo...
Envergonhado, o sol se foi 'scondendo...
O vento vai soprando de seguida!...
Num dia, noutro dia, é a vida!...
Tempo se vai mostrando como sendo;
Que a vida fosse já no fim, morrendo...
Mas ela tem a forma concebida!...
O Tempo se renova quando morre
E renasce outra vida, outro fado...
O Tempo renascido é o que corre
E fica outro Tempo renovado!
-O Tempo que se vive bem concorre
P'ra termos nesta vida o resultado!...
Amílcar de Figueiredo
October 25 A PERCEPÇÃOA PERCEPÇÃO
Gosto de ver o sol pelas manhãs
Romper as nuvens calmas no horizonte:
Ouvir o som da água numa fonte;
Sentir as vidas feitas e os afãs...
Gosto de ver nas árvores romãs:
Cheirar a névoa vinda lá do monte;
Sentir a encosta fria ali de fronte;
Ver o bonito efeito das maçãs...
A luz do dia, então, é mais brilhante:
O Sol vai dando à Terra seu calor;
As coisas vão medrando num instante;
As novidades têm seu frescor.
-O Homem deve ser um tolerante
E perceber, então, o que é amor!...
Amílcar de Figueiredo
October 12 PERFUME DE AMORPERFUME DE AMOR
O amor agita, ferve, age e perdoa!
O amor faz com que a vida vá em frente!
O amor tortura, mói e faz que a gente
Sofra 'agonia dum mal que magoa!...
O amor é barco só, mas se abalroa
A outra barca leve que há na frente,
Se ela resiste e faz como a serpente
Fugindo, esguia, para tal canoa..
O amor fará em nós um bom ciúme:
Vai admitindo alguma fantasia
Ignorando até qualquer queixume...
O amor consegue ter maior magia
Quando transforma o ser com seu perfume
Deixando atrás de si só alegria!...
Amílcar de Figueiredo
September 27 MERECIDO ORGULHOMERECIDO ORGULHO
Alma que poderá singrar na vida
É a que se despiu de preconceitos:
Que vê com humildade seus defeitos;
Quererá corrigi-los de seguida...
E quando a intenção é conseguida
Num conjunto de tais "amor's-perfeitos",
É justo que ressaltem seus direitos
De viver sua vida preferida!...
O "homem" tem direito de viver
O mundo que lhe puseram na frente.
Vivê-lo para bem o conhecer...
Saber que pode dá-lo a toda a gente!
-A vida será boa p'ra viver
Quando ela dá orgulho a quem a sente!...
Amílcar de Figueiredo Obrigado pela visita!
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